Explorando as pracialidades...
“pracialidades são
concretudes, existências que se situam no tempo e espaço, participando da
construção e das metamorfoses da esfera da vida pública”(QUEIROGA, 2001)
Negar que por trás das estruturas físicas da praça existe o
que chamamos de parcialidades, é acreditar que a importância da mesma se
encerra em sua beleza arquitetônica e pelo tempo de sua construção. Muito mais
que simples espaço urbano que compõe uma cidade ela carrega histórias e mundos
diversos.
Pela praça circulam pessoas e em cada uma delas segredos, vontades,
lamentos, conquistas. Quem nunca beijou na praça? Quem nunca sentou-se para
prosear? Quem nunca chorou ou rio na praça?
A partir do trabalho aqui realizado pude partilhar de muitas
histórias. Historias estas de pessoas que, no início, meio desconfiadas, iam repartindo
um pouco de suas lembranças. Lembranças estas que por sinal eram suas únicas riquezas.
“aqui já
foi mais sossegado. Hoje, faz inté medo de ficar aqui. Quando existia homens de
bens se podia ficar aqui inté romper o dia que nada acontecia.” (morador de
rua).
Segundo a professora e historiadora Ignez Pitta, era em
frente da praça que homens e mulheres embarcavam e desembarcavam a todo o
momento. Penso que neste movimento de embarques e desembarques muitas saudades,
encontros e desencontros aconteceram. A praça, calada, presenciara tudo...
Dentre os conceitos estudados mediante o estudo aqui
realizado sobre a Praça Duque de Caxias, a interterritorialidade
se encaixa perfeitamente aqui, pois de acordo Lílian Amaral (2013), “territórios
culturais, étnicos, religiosos parecem definir melhor a noção contemporânea de
lugar.” Desta forma entendo que temos muito mais a explorar no outro, quanto em
nós mesmos. fazer uso da visualidade e visibilidade, produzindo “metamorfoses
do olhar” (AMARAL, 2013), olhar este, cada dia mais
aguçado a ver o intangível. Isto aconteceu comigo. Antes de saber a história da
praça, a escolhi pela sua beleza estética e aos poucos fui conhecendo as várias
histórias ali vividas; sua importância cultural, histórica, social... Seus
personagens visíveis e invisíveis...
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