segunda-feira, 8 de junho de 2015


Explorando as pracialidades...

 
“pracialidades são concretudes, existências que se situam no tempo e espaço, participando da construção e das metamorfoses da esfera da vida pública”(QUEIROGA, 2001)
             Negar que por trás das estruturas físicas da praça existe o que chamamos de parcialidades, é acreditar que a importância da mesma se encerra em sua beleza arquitetônica e pelo tempo de sua construção. Muito mais que simples espaço urbano que compõe uma cidade ela carrega histórias e mundos diversos.
            Pela praça circulam pessoas e em cada uma delas segredos, vontades, lamentos, conquistas. Quem nunca beijou na praça? Quem nunca sentou-se para prosear? Quem nunca chorou ou rio na praça?
           A partir do trabalho aqui realizado pude partilhar de muitas histórias. Historias estas de pessoas que, no início, meio desconfiadas, iam repartindo um pouco de suas lembranças. Lembranças estas que por sinal eram suas únicas riquezas.
 
“aqui já foi mais sossegado. Hoje, faz inté medo de ficar aqui. Quando existia homens de bens se podia ficar aqui inté romper o dia que nada acontecia.”  (morador de rua).

Segundo a professora e historiadora Ignez Pitta, era em frente da praça que homens e mulheres embarcavam e desembarcavam a todo o momento. Penso que neste movimento de embarques e desembarques muitas saudades, encontros e desencontros aconteceram. A praça, calada, presenciara tudo...
           Dentre os conceitos estudados mediante o estudo aqui realizado sobre a Praça Duque de Caxias, a interterritorialidade se encaixa perfeitamente aqui, pois de acordo Lílian Amaral (2013), “territórios culturais, étnicos, religiosos parecem definir melhor a noção contemporânea de lugar.” Desta forma entendo que temos muito mais a explorar no outro, quanto em nós mesmos. fazer uso da visualidade e visibilidade, produzindo   “metamorfoses do olhar” (AMARAL, 2013), olhar este, cada dia mais aguçado a ver o intangível. Isto aconteceu comigo. Antes de saber a história da praça, a escolhi pela sua beleza estética e aos poucos fui conhecendo as várias histórias ali vividas; sua importância cultural, histórica, social... Seus personagens visíveis e invisíveis...

 

 

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